Suas margens estão caindo ou até se tornando negativas devido à crise?
A empresa não está conseguindo honrar suas obrigações? 

O método de recuperação de empresas é a solução, numa situação de crise como esta, que de um lado, ocorre queda brusca ou inexistência de receita e, do outro, boa parte dos custos e despesas não deixam de existir.

Para as empresas que já vinham combalidas por uma crise, é comum estar com o passivo elevado, ou seja, dívidas diversas, como empréstimos bancários, impostos, fornecedores atrasados, dentre outros.

Entretanto, mesmo para empresas que estavam numa situação mais confortável, os passivos estão se elevando rapidamente.

O importante é saber como mitigar o passivo para continuar existindo quando a situação voltar ao normal.

Num contexto normal de crise, costuma-se falar em “sanear passivo”. Ocorre que estamos numa situação atípica e é mais prudente falar em mitigação. De maneira geral, sanear significa resolver; mitigar é minimizar.

Para as empresas que vinham combalidas, a situação obviamente é mais crítica; para as outras, também inspira cuidado e outro tipo de tratamento.

Se nas que já vinham em crise os passivos já existiam e se avolumavam, nas que vinham com caixa ou se recuperando, às vezes, a negação fala mais alto e elas não tomam as medidas drásticas de corte necessárias.

Em qual etapa sua empresa se encontra?

Você sabia que existem etapas diferentes e abordagens diferentes para cada etapa, num processo se recuperação de empresas?

Em qual etapa se encontra sua empresa? Reestruturação, turnaround, recuperação extrajudicial, recuperação judicial ou fechamento? 
Sim, até para fechar existe método. Isso evita a perda total de controle, advinda de uma falência.

E, para identificar em qual etapa você se encontra, para tratar da maneira mais adequada a situação, é importante realizar um diagnóstico, o primeiro item da parte “O que é possível fazer para ter êxito na recuperação de empresas?”.

Mas qual o próximo passo, para ter sucesso numa recuperação de empresas?

O próximo passo é identificar que está com os resultados comprometidos. E isso só pode ser feito através da aplicação de um diagnóstico, principalmente a etapa do diagnóstico econômico/financeiro.

Em seguida ocorre um momento de decisão, que, de maneira geral, possui os seguintes caminhos:

1.    Rever o modelo de gestão

Muitas vezes é possível reverter a situação, analisando o modelo de gestão sem injetar recurso algum.

Dá para fazer isso verificando, por exemplo, controles, cortes de custos/despesas, renegociando prazos com fornecedores e clientes, além de redefinir modelo de vendas para elevar receita, entre outros.

2.    Reinveste e segue em frente

Outras vezes é necessário fazer algum tipo de investimento, injetando capital de giro, adquirindo algum equipamento que melhore a eficiência ou criando uma plataforma de vendas digital, por exemplo, para fazer com que a empresa volte a gerar margens positivas e aceitáveis.

Mas, para que tenha real consciência de que o investimento trará resultados desejáveis e de quanto será esse investimento, é necessário realizar o diagnóstico.

Além do mais, para obter êxito, é necessário rever a gestão.

3.    Vende

Analisando o mercado e o segmento de atuação, avaliar se existe um provável comprador para esse tipo de empresa.

Pode ser, por exemplo, um concorrente maior com caixa, que, num momento como este, esteja atrás de oportunidades de compra.

No entanto, avalie também se a empresa tem condição de se sustentar durante o processo.

4.    Recuperação Extra ou Judicial

A depender do nível de endividamento e do perfil dessa dívida, pode ser necessário entrar com uma recuperação extra ou judicial. Ela é regida pela Lei No 11.101/05.

De maneira geral, a recuperação extra ou judicial é um artifício legal, que permite à empresa suspender parte ou a totalidade de suas dívidas enquanto se reestrutura.

No entanto, para seguir em frente, exige um plano de recuperação factível.

Em outras palavras, exige um plano que mostre que a gestão, em última instância, proporcionará resultados financeiros positivos o suficiente para saldar suas dívidas.

5.    Retirada de caixa até encerrar

Outra possibilidade é o fechamento e, mesmo para fechar, é necessário planejamento.

Fechar significa parar de vender, mas não deixar de ter contas para pagar.

Concluindo, é importante frisar que esses elementos não são excludentes. Na realidade, eles são opções e devem ser seguidas a depender da situação da empresa e do mercado.

A depender da situação, algumas empresas podem tentar algumas dessas alternativas; outras não.

Outro passo importante, numa recuperação de empresas, é proteger a PF (pessoa física), pois, se em última instância a PJ “quebrar”, a PF, estando resguardada, pode se reerguer e honrar seus compromissos.

No entanto, se a PF “quebrar”, a volta é muito mais complicada.

É importante ainda ressaltar que, além do diagnóstico econômico-financeiro, outros elementos são importantes, em maior ou menor intensidade, independentemente do caminho que será trilhado, conforme segue abaixo.

O que é possível fazer para ter êxito na recuperação de empresas?

Alguns pontos tratados abaixo são meio óbvios e precisam ser postos em prática imediatamente.

Entretanto, deve-se considerar que alguns destes pontos farão mais sentido para umas empresas do que outras a depender da situação em que se encontra.

Em meio a essa crise, para a recuperação de empresas, de maneira geral, precisa agir rápida e estrategicamente, atuando em 08 frentes:

1.    Diagnóstico

Em relação ao primeiro tópico, deve-se fazer um diagnóstico para avaliar prioritariamente a saúde econômico-financeira da empresa.

Desse modo, pode-se identificar e proceder com a análise de sua receita, dos custos/despesas, do passivo existente, da sua geração de caixa, além de todos os indicadores relevantes.

Entretanto, para recuperar uma empresa, não basta conhecer seus indicadores econômico-financeiros; faz-se necessário também avaliar a gestão da empresa, como seus controles, sua tomada de decisões, como as áreas da empresa funcionam e como interagem entre si e com o mercado, entre outros.

2.    Identificação e mitigação do passivo

Paralelamente, no que tange ao segundo tópico, deve-se identificar e analisar o passivo da empresa, com o objetivo de averiguar a melhor estratégia para cortar, reduzir e/ou alongar as referidas dívidas.

É preciso considerar ainda o que será alvo de negociação, pagamento imediato, contenda jurídica, dentre outros. E, se necessário, em relação a esse item, a empresa pode dar entrada numa recuperação judicial. Mas este será tema de outro artigo.

3.    Captação de recursos

Em relação ao terceiro tópico, deve-se frisar que existem diversas possibilidadespara captar recursos e sustentar sua volta.

Além de que existem outras maneiras não ortodoxas, como refinanciamento de bens, venda de cotas da empresa, entre outras, em vez de simplesmente captar em bancos.

4.    Gestão da inovação (gestão de inovação/tecnologia e marketing)

Os tempos mudaram, os consumidores também e consequentemente os negócios precisam não só se adequar, mas estar à frente, revendo seus modelos e processos.

Muitas crises estão ocorrendo ou sendo amplificadas nas empresas, pois o seu modelo de negócio está ultrapassado. Empresas que já estavam atuando por meio das redes sociais tiveram — e têm — mais chance de sobreviver e prosperar nesta crise, do que empresas que nem atentavam para esse canal de vendas e relacionamento com o cliente, por exemplo.

5.    Tecnologia

O volume de dados nas organizações se tornou enorme e complexo. Portanto, a gestão nas empresas só é possível por meio da tecnologia.

6.    Marketing, comercial, vendas

Para melhorar a margem do negócio, não basta reduzir custos/despesas. É preciso tornar sua marca conhecida, encantar o cliente e aumentar as vendas.

É importante pensar em como manter e elevar a receita de maneira sustentável.

 7.    Gestão organizacional

Rever o modelo de Gestão da empresa, suas áreas/processos, sua equipe, seus controles e seu modelo de tomada de decisão etc. É importante para voltar a ter margens positivas. 

8.    E, sim, gestão da emoção

Como em qualquer crise, situação em que estamos acostumados a assessorar, a gestão emocional é extremamente importante.

É comum a negação, a falsa ideia de que logo passará, que o governo ajudará ou até o desespero e apatia.

O importante é seguir um plano que te ajude a raciocinar de maneira lógica e a agir o mais rápido possível. Tenha consciência de que numa crise, como numa guerra, não existe possibilidade de sair sem cicatriz. Portanto, aceite o fato, equilibre-se mentalmente e siga o passo a passo acima.

Assim como a vida de uma pessoa, é a vida de uma empresa. Os momentos são efêmeros. Terão momentos bons e momentos ruins.

O que importa é sua atitude diante da vida, como você faz a gestão de sua vida e sua empresa.